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3 de junho de 2016

As Razões de Batman Ser Facilmente Adaptável ao Cinema – 2/3: As Razões de Batman Dar Certo nas Telas

 Wagner Williams Ávlis*

Antes de seguir essa leitura, faça uma pausa e responda: o que explica a sua facilidade em fazer bem as coisas de que você gosta? O que será que determina um adolescente ter mais atração pelos números do que pelas letras? Por que algumas pessoas têm facilidade em se adaptar a diferentes situações e outras não?
Aqui não se tem a intenção de responder a essas questões. Se, no entanto, as perguntas forem revertidas para o mundo da ficção – para o batverso –, tenho a resposta. O que explicaria a facilidade e o êxito da adaptação de Batman no cinema, na TV, sendo ele apenas, segundo o Lanterna Verde Hall Jordan, “um cara numa fantasia de morcego”[1], e não um poderoso ser, um inescrupuloso justiçador? Resposta: porque a essência do Batman tem sua origem dentro do próprio cinema, e não fora dele.
Reconheçamos: não era para ser fácil ou atraente adaptar um personagem desprovido de hiperabilidade, super-força, limitado a uma geografia, a uma física, com um visual pra lá de esquisito, sisudo, pouco dado a amizades. Porém adaptar esse ser às telas é fácil, atraente, lucrativo. Batman, para o público comum, mostra-se como um personagem estanque, único; porém ele é um personagem plural, uma colcha de retalhos de diversos gêneros e personagens ligados ao cinema. Vejamos quais.


Gêneros do cinema

·         Detetivesco



  
·         Policial



 ·         Noir





 ·         Aventura




  ·       Terror
Gênero que derivou o policial, com enfoque na investigação particular, na espionagem e na decodificação vindas de personagem não ligado à polícia ou instituição.
Gênero do cinema com enfoque investigativo, envolvendo policiais, detectives, mafiosos, ladrões.
Subgênero do filme policial, com imagens em altos contrastes e preto e branco, com enfoque urbano e conspiratório na máfia com personagens arquétipos.
Gênero cinematográfico que reflete o mundo da fantasia e da ficção, seja no passado ou no futuro, com enfoque na ação e em personagens estereótipos.
Gênero com enfoque sensorial, que explora sensações e sentimentos negativos ou protetivos, como o medo, a ilusão, a violência, o asco.

Personagens do cinema
            ·         Les Vampires – The Mysterious Saga (1915)




·         A Marca do Zorro (1920)


   
·         The Bat (1926)


·         The Bat Whispers (1930)



·         Drácula (1931)
Seriado francês da época do cinema mudo que conta a saga de um jornalista detetive para desbaratar uma gangue chamada “os vampiros”.
Filme mudo de aventura, da United Artist, contando sobre um aventureiro espadachim mascarado na Califórnia colonizada pela Espanha.
Filme mudo da Broadway que tem por assassino um homem vestido de morcego.
Filme da United Artists de um criminoso vingador que tem por apelido “Morcego”.
Filme de horror com vampiro, da Universal Studios, baseado no livro de Bram Stoker.



Tanto aqueles gêneros quanto esses personagens cinematográficos estão, pelo tempo e pela reincidência, fixados nas telas e nas memórias dos admiradores da 7ª arte, flexíveis a novas adaptações, adaptações essas que se tornam ofertivas (pelos cineastas) e aceitáveis (pela audiência). Portanto eis o segredo! Nada mais lógico sabermos disto: Batman é fluido ao cinema porque, antes de qualquer coisa, sua essência é de natureza cinematográfica, e, por isso mesmo, atraente a toda e qualquer audiência, inclusive até nos atuais fanfilmes.
Dracula, filme da Universal Studios de 1931 baseado na obra de Bram Stoker. A imagem popularizada pelo cinema do Conde Drácula, com toda a sua atmosfera sombria, obscura, morcegoide, de premissas como identidade secreta, mansão milenar, caverna, mistério, medo, violência, sensualidade, foi uma das fontes de emanação para a imagem projetada do Batman que até hoje, inconscientemente, reporta-se ao vampiro, obtendo assim a simpatia da audiência nas telas.
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(*) Professor de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Redação, escritor da Academia Maceioense de Letras, articulista de imprensa. Nas horas vagas, é historiador do Homem-Morcego. 

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[1] Liga da Justiça # 01 (Novos 52!), junho de 2012, p.15. Rot. Geoff Johns, des. Jim Lee.

Referências Bibliográficas (das 3 partes):
Batman – Origem e Evolução do Homem-Morcego em Filmes e Seriados https://www.youtube.com/watch?v=jGtkd5BFfi8
Batman – Serial, 1943. In. TV Sinopse: http://www.tvsinopse.kinghost.net/b/batman431.htm
COTRIM. Gilberto. Fundamentos da Filosofia: História e Grandes Temas (16ª ed.). Cap. III: Consciência crítica e filosofia. São Paulo: ed. Saraiva, 2006, p.43.
InfanTV: A 1ª animação de Batman http://www.infantv.com.br/ne_batmanrobin.htm
NERY, Lincoln. Batman, A Trajetória (arq. PDF). Produção Independente, 2012, 526 págs.
SANTAELLA, Lucia. Gêneros Discursivos Híbridos na Era da Hipermídia. In. Bakhtiniana – Revista de Estudos do Discurso, vol. 9, nº 2. São Paulo: Revistas PUC, 2014, pp.206-210.

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