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13 de junho de 2016

As Razões de Batman Ser Facilmente Adaptável ao Cinema – 3/3: Bat-HQs nos Bat-filmes


O “Big bang” do batverso nas telas se deu em 1943 com o seriado de 15 episódios chamado “O Batman”, tendo como dupla-dinâmica os atores Lewis Wilson (Bruce Wayne) e Douglas Croft (Dick Grayson). De lá pra cá esse universo cinemático só tem se expandido, assim organizado:
SERIADOS
FILMES
ANIMAÇÕES
O Batman (1943) – Columbia Pictures
Batman, O Homem-Morcego (1966) – 20th Century Fox, dir. Leslie H. Martinson
As Aventuras de Batman & Robin, o Garoto-Prodígio (1968) – Filmation/CBS
Batman & Robin, A Volta do Homem Morcego (1949) – Columbia Pictures
Batman, O Filme (1989) – Warner Bros, dir. Tim Burton
Scooby-Doo Encontra Batman (1972) – Hanna-Barbera
Batman, A Série de TV (1966) –  20th Century Fox
Batman, O Retorno (1992) – Warner Bros, dir. Tim Burton
As Novas Aventuras de Batman & Robin, o Garoto-Prodígio (1977) – Filmation/CBS
Gotham (2014) – Warner Bros
Batman Eternamente (1995) – Warner Bros, dir. Joel Schumacher
Batman, A Série Animada (1992–1995) – Warner Bros

Batman & Robin (1997) – Warner Bros, dir. Joel Schumacher
A Máscara do Fantasma (1993) – Warner Bros

Batman Begins (2005) – Warner Bros, dir. Christopher Nolan
Batman e Superman: Os Melhores do Mundo (1997) – Warner Bros

O Cavaleiro das Trevas (2008) – Warner Bros, dir. Christopher Nolan
As Novas Aventuras de Batman (1997–1999) – Warner Bros

O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) – Warner Bros, dir. Christopher Nolan
Batman & Mr. Freeze: Abaixo de Zero (1998) – Warner Bros

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016) – Warner Bros, dir. Zack Snyder
Batman do Futuro (1999–2001) – Warner Bros


Batman do Futuro: O Retorno do Coringa (2000) – Warner Bros


Batman: O Mistério da Mulher-Morcego (2003) – Warner Bros


O Batman, A Série (2004–2008) – Warner Bros


Batman vs. Drácula (2005) – Warner Bros


Os Bravos e Destemidos (2008-2011) – DC Comics/ Warner Bros


O Cavaleiro de Gotham (2008) – Warner Premiere


Superman/Batman: Inimigos Públicos (2009) – Warner Premiere


Superman/Batman: Apocalypse (2010) – Warner Premiere


Batman Contra o Capuz Vermelho (2010) – Warner Premiere


Batman Ano Um (2011) – Warner Premiere


O Cavaleiro das Trevas I e II (2012-2013) – Warner Premiere


A Sombra de Batman (2013-2014) – Warner Bros Animation


O Filho de Batman (2014) – Warner Premiere


Batman, Dias Estranhos (2014) – Bruce Timm/ Cartoon Network


Batman Beyond (2014) – Darwyn Cooke/ DC Entertainment


Batman: Ataque ao Arkham (2014) – Warner Bros. Animation/Warner Premiere


Batman vs. Robin (2015) – Warner Bros. Animation/Warner Premiere


Batman Sem Limites, Instintos Animais (2015) – Warner Bros. Animation/DC Entertainment


Batman Sem Limites: Caos Monstruoso (2015) – Warner Bros. Animation/DC Entertainment


Batman: Sangue Ruim (2016) – Warner Bros. Animation/DC Entertainment


Piada Mortal (2016) – Warner Bros. Animation/DC Entertainment

As 3 categorias de mídia não estão ligadas entre si, exceto pelas características universais do batverso (origem/motivações, características/visuais dos personagens, ambientes). Isso significa que Batman nas telas, diferente nas HQs e nos games, não possui um mundo coeso. Entretanto, numa análise mais recortada dessas telas, é possível ver alguma ligação, não entre as 3 categorias e sim dentro de cada categoria. Essa ligação se dá por uma relação de contiguidade e de continuidade. A contiguidade é a aproximação da mídia (seriado, filme animado, animação, filme) ao quadrinho, que é a matriz de referência; a continuidade é a sucessão/sequência de eventos que começa em uma franquia e termina em outra, ou ainda eventos de uma franquia que são mencionados em outra. Para não estender o artigo, darei exemplos pontuais. Os dois primeiros seriados de Batman (“O Batman” eBatman & Robin  A Volta do Homem Morcego”) contêm, ao mesmo tempo, a contiguidade e a continuidade. Isso é observável porque, na contiguidade, os dois seriados mantêm elementos das HQs iniciais do Homem-Morcego próprios à Era de Ouro dos Quadrinhos (1938-1954): período de ausências do batmóvel, da batcaverna, do mordomo Alfred, poucos apetrechos, gângsteres como vilões. Já na continuidade, os dois seriados mantêm – apesar do grande intervalo de tempo e da mudança de elenco – o mesmo estilo de produção, de modo que o segundo aparenta continuar o primeiro. Os seriados “Batman, A Série de TV” e “Gotham” não são contínuos (ou seja, não se ligam um ao outro), porém são contíguos (ou seja, se aproximam de algumas cenas das HQs de seus respectivos contextos de época).
Selina Kyle, a Mulher-Gato, no traço do magistral Stanley Lau Artgerm. O atual traje da gatuna nas HQs é um caso diferenciado de contiguidade: de 1940 a 2005 o uniforme da personagem era de tecido ou colante. Depois do filme "Batman, O Retorno" (1992), com Michelle Pfeiffer usando um colante de látex preto, a Mulher-Gato dos comics passou a usar, décadas mais tarde, o látex também, virando uma regra. A contiguidade aqui foi inversa, pois a matriz de referência partiu do filme para os quadrinhos.
            Outro exemplo são os filmes. Dividindo-os em blocos teremos 3[1].
Bloco 1
Filmes de Tim Burton
Bloco 2
Filmes de Joel Schumacher
Bloco 3
Filmes de Christopher Nolan
Batman, O Filme
Batman, O Retorno
Batman Eternamente
Batman & Robin
Batman Begins
O Cavaleiro das Trevas
O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Isoladamente, os filmes de cada bloco são continuidades um do outro dentro de seu próprio bloco; assim, “Batman, O Retorno” possui alguma continuidade com “Batman, O Filme”, “Batman & Robin” com “Batman Eternamente”, etc. Também é observável a continuidade entre blocos, e não só entre os filmes do mesmo bloco. É possível ver no bloco 2, por exemplo, alguma continuidade – apesar das diferenças de direção/produção – com o bloco 1[2], porém o bloco 3 permanece isolado dos demais. Agora, sobre a relação de contiguidade dos filmes, é importante fazer saber de quais quadrinhos esses filmes estão próximos.
Contiguidade do bloco 1
Imperam nesse bloco as influências das HQs de Frank Miller, Alan Moore e Alan Grant. O clima gótico de Gotham City, os tons escuros no traje e na lataria do batmóvel, a conturbada relação entre o herói e a polícia vieram das obras Ano Um (1987) e O Cavaleiro das Trevas (1986) – ambas de F. Miller. Parte da origem do Coringa (de Jack Nicholson) veio de Piada Mortal (1988), de Alan Moore, e a origem do Pinguim (de Danny DeVito) mais seu plano com pinguins controlados por remoto vêm dos arcos “Neve e Gelo” (Batman #10, 1990, ed. Abril, 3ª série) e “Projeto Pinguim I, II, III” (Batman #14-15, 1991, ed. Abril, 3ª série), de Alan Grant.
Projeto Pinguim, de Alan Grant (1991), uma das referências para o filme "Batman, O Retorno", de Tim Burton.

Contiguidade do bloco 2
Nesse bloco, a origem do Menino-Prodígio – Chris O'Donnell – (Detective Comics #38, 1940), assim como as de Duas-Caras – Tommy Lee Jones – (Detective Comics #66, 1942) e Charada – Jim Carrey – (Detective Comics #140, 1948), as três por Bill Finger, fazem-se presentes. Importa destacar que a versão cômica dos dois vilões no filme não tem parte com a direção de Joel Schumacher, mas é uma rasa reprodução da comicidade com que esses personagens eram tratados nas HQs da Era de Ouro. Já no filme “Batman & Robin”, os vilões Hera Venenosa (Uma Thurman), Sr. Frio (Arnold Schwarzenegger) e Bane não tiveram tanta comicidade, e parte da origem do Sr. Frio veio de um conto chamado “Coração de Gelo”, de Batman, A Série Animada (1992), por Paul Dini.
Batman, A Série Animada, episódio 14: “Coração de Gelo”, referências para Arnold Schwarzenegger como Sr. Frio no filme “Batman & Robin”, de Joel Schumacher.

Contiguidade do bloco 3
Esse bloco apresenta uma ruptura com os dois primeiros, tendo muito mais referências do que eles somados. São elas:
·      em Batman BeginsAno Um (1987, Frank Miller/David Mazzucchelli), nas cenas do início de carreira do comissário Gordon, na fuga entre morcegos de Batman da SWAT, na cena do surgimento do batsinal, na carta baralho do Coringa ao final do filme. O Filho do Demônio (1987, Mike W. Barr/Jerry Bingham), na relação de proximidade entre Batman, Ra’s al Ghul e a Liga dos Assassinos;

·      em O Cavaleiro das TrevasO Longo Dia das Bruxas (1997, Jeph Loeb/Tim Sale), na ideia da união entre o comissário Gordon, o promotor de justiça Harvey Dent e Batman contra a máfia do gângster Carmine Falcone, na frase da campanha “eu acredito em Harvey Dent” para a promotoria, recorrente em todo o filme, na cena de simulação da morte de Gordon, na cena da queima da pilha de dinheiro (com o Coringa como o incendiário em vez de Batman). Piada Mortal (1988, Alan Moore/Brian Bolland), na insistência do Coringa em seu plano de provar que qualquer pessoa pode revelar suas loucuras, bastando para isso agir sob pressão em “só um dia difícil”;

·       em O Cavaleiro das Trevas RessurgeO Cavaleiro das Trevas-I (1986, Frank Miller/Klaus Janson), no intervalo de tempo em que Bruce Wayne para o vigilantismo e retorna devido a uma nova onda de crimes. A Queda do Morcego (1994-1996, “O Fundo do Poço”, Chuck Dixon e Dough Moench/Graham Nolan e Jim Aparo), na cena em que Bane quebra a máscara de Batman e o lesiona em suas costas.
As HQs que basearam a trilogia "O Cavaleiro das Trevas", de  Christopher Nolan.
Por ora, estou certo de que, com o conteúdo apresentado, ficou mais do que provado por que o Homem-Morcego é tão facilmente adaptável às telas. Não é sorte, simpatia, truque; é todo um trabalho de trajetória – e que trajetória!
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(*) Professor de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Redação, escritor da Academia Maceioense de Letras, articulista de imprensa. Nas horas vagas, é historiador do Homem-Morcego.


[1] Excluí como um 4º bloco o filme de Zack Snyder, "Batman vs. Superman, A Origem da Justiça", porque ele ainda formará um bloco próprio.

[2] Um exemplo (dos muitos) disso é como a concepção dos filmes do bloco 2 mantém, por exemplo, a polícia de Gotham City: um comissário Gordon sem heroísmo, liderança, uma polícia dispersa, ineficiente, dependente de Batman, ecos ainda da concepção dos filmes do bloco 1. Pode-se citar ainda a mesma cronologia da presença do mordomo Alfred e dos aspectos circenses em ambos os blocos.
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Referências Bibliográficas (das 3 partes):
Batman – Origem e Evolução do Homem-Morcego em Filmes e Seriados https://www.youtube.com/watch?v=jGtkd5BFfi8
Batman – Serial, 1943. In. TV Sinopse: http://www.tvsinopse.kinghost.net/b/batman431.htm
COTRIM. Gilberto. Fundamentos da Filosofia: História e Grandes Temas (16ª ed.). Cap. III: Consciência crítica e filosofia. São Paulo: ed. Saraiva, 2006, p.43.
InfanTV: A 1ª animação de Batman http://www.infantv.com.br/ne_batmanrobin.htm
NERY, Lincoln. Batman, A Trajetória (arq. PDF). Produção Independente, 2012, 526 págs.

SANTAELLA, Lucia. Gêneros Discursivos Híbridos na Era da Hipermídia. In. Bakhtiniana – Revista de Estudos do Discurso, vol. 9, nº 2. São Paulo: Revistas PUC, 2014, pp.206-210.

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