24 de maio de 2017

✩ Campanha ❝O Voo de Diana❞ ✩ (1ª parte)

                                                                                                                                 Wagner Williams Ávlis*

 Foi para toda a Comunidade g+Quadrinhos que este tratado
 foi dedicado no ano de sua publicação (2013). 
ΠΣApontamentos Meus

     Nessa parte, o tratado discorre sobre os hiper-saltos da Princesa Amazona, a habilidade que precedeu seu voo e que de certo modo fora uma tácita reprodução da habilidade que tinha o Superman na mesma década, os anos 1940. Discorre ainda a incongruência entre o traje da guerreira grega (muito mais american way) e a tradição helênica das roupas femininas. Destaque para uma teoria da autora que buscou explicar outra incongruência: a existência duma aeronave invisível num mundo isolado da tecnologia patriarcal e que era a símile das eras clássicas da Grécia antiga. Por fim é arrolada uma galeria de capas onde se prenunciava a possibilidade de um voo sem o jato invisível, com as habilidades gradativas chamadas "deslocamento suspenso" e "autoplanagem".


✩ Mulher-Maravilha e Seus Hiperssaltos de Início de Carreira

        William Moulton Marston não elaborou a Wonder pra voar como uma deusa – e arrisco dizer mais, tampouco pra refletir o modo de vida guerreira duma amazona grega! Apesar de não ser algo oficial, nós, leitoras veteranas e conservadoras, na experiência de leitura, postulamos que o aparato mítico-grego da Maravilhosa esteve vinculado à Ilha Paraíso Themyscira e deixado lá pra trás quando da saída de Diana pro mundo exterior patriarcal. Seu modo de vida amazônico deu lugar a uma simples idiossincrasia grega (expressa nas frases de efeito que aludem aos deuses). Por isso, em seu começo, não a vemos prestar culto a suas divindades, não a vemos treinando marcialidade fora de Themyscira, não a vemos conservando suas tradições e ritos, e a vemos permitir-se quebrar o voto de abstinência de sua confraria (ao noivar com Steve Trevor) e absorver, tímida, o modo americano de viver (por força disso, o nome “Mulher-Maravilha” mais suas traduções equívocas de “Miss América” ou “Supermulher” nada aludíveis à Grécia). O uniforme e a aeronave da heroína são pouco gregos ou mitológicos, pois na trama eles agem como elementos politizados: o uniforme tem cores e símbolos da nação estrangeira, e a aeronave é um fator de comparação com a aeronave de Steve Trevor, a fim de ser vista como representante duma civilização de igual tecnologia. Não era que Marston queria desprezar a fortuna grega (ele lia bastante os clássicos); apenas focar sua defesa no feminismo, não importando de qual procedência viera. Entretanto, a Mulher-Maravilha não era uma mulher comum; era uma semideusa “(...) linda como Afrodite, sábia como Atena, tão forte quanto Hércules e tão veloz quanto Mercúrio, vinda da Ilha Paraíso, onde as amazonas governam soberanas…” (Sensation Comics #01, 1942 - introd.), e por isso ela saltava, sobre-humanamente, a grandes léguas ou alturas. Tal trunfo era, na realidade, pra rivalizar com Superman de Jerry Siegel e Joe Shuster, que, à época, não voava também, só hiperssaltava (vocês sabiam disso, gente?). Ainda assim, Marston, desintencionado, abriu margens pra confusão do voo na lambança que futuros escritores, junto dum mercado imaturo, iriam aprontar.


✩ O Papel do Jato Invisível: Uma Teoria Minha

         O jatinho invisível de Diana é um resultado daquela imperícia das editoras emergentes na Era de Ouro. William Moulton Marston não se prendeu a explicá-lo, e, por consequência, o jato seguiu enigmático até o pós-Crise nas Infinitas Terras. Simplesmente ele não tem explicação definida ou razão de origem antes disso. Mas eu, através de 23 anos de leitura e coleção, teorizei algo referente e que encontra apoio em observações de roteiros, guia de quadrinhos, sites estrangeiros e fóruns de debate entre fãs. Não é consenso, mas é algo relativamente reconhecido. O jato invisível na pré-Crise é uma encarnação essencial de Pégaso, o unicórnio voador, espólio de guerra grego, e, portanto, item de Themyscira, e não o tal metal amazonium. O jato, diferente de qualquer outro, pode atravessar a atmosfera terrestre até o espaço sideral. Ele é invisível de modo relativo, pois pra Diana e pras demais amazonas ele é visível (alguém aí já viu Diana “errar” seu embarque? Ou as themysciranas não perceberem seu sobrevoo?); já pros mortais e outros seres o veículo é invisível. Se fosse puro metal geofísico bruto, o jato não atenderia ao comando de voz ou à telepatia de Diana, e careceria de combustível; isso não acontece porque o jato é orgânico, vívido, místico, é a essência mítica de Pegasus adestrado pras petições das amazonas, e, por isso mesmo, ele é destrutível. Não vou aqui dissertar sobre isso agora, mas se quiserem, noutra oportunidade, poderei fazê-lo, citando a fundamentação e as fontes. Quem quiser se antecipar em algumas poucas coisitas, pesquise sobre Sensation Comics #1 (1942), Wonder Woman #32-36 (1949), #43 (1950). Podem conferir algum fundamento num compacto da Mundo dos Super-Heróis#9 (“Mulher-Maravilha de A-Z”. Ed. Europa). O jato, a princípio, como bem citou VINÍCIUS MOIZINHO, servia pra atender a necessidade de voo da amazona, já que ela apenas hiperssaltava. 

Mais tarde, quando Diana passou a planar e a se deslocar em “correntes de ar”, o jato serviu de locomoção e bagageiro pra grandes distâncias. Na fase pós-Crise (John Byrne), o jato não é mais a essência de Pegasus; é um presente elemental transmórfico alienígena chamado “disco lansinar”, da raça lansinariana, e que pode assumir qualquer forma física – e aí o avião –, chegando até mesmo a se transformar, certa vez, numa redoma flutuante chamada “Domo Maravilha” (não publicada no Brasil, mas com rápidas aparições em DC 2000 #6 , 1990, ed. Abril; Superman & Batman # 5, “Ondas”, 2005, ed. Panini). Nesse último estágio, o jato tem mera função saudosista e ilustrativa, pois que aqui a heroína voa e pode transportar cargas em seu voo. Ficou mais libertário assim, concordam? Na atual série “Os Novos 52!”, o jato invisível nunca pertenceu a Mulher-Maravilha. Em vez disso, ele foi projetado pelo departamento de segurança nacional dos EUA, “ARGUS”, e serve como principal forma de transporte para Amanda Waller e Steve Trevor.

✩ A Mulher-Maravilha Dá Indícios de Que Pode Voar…

         Robert Kanigher e Denny O'Neil assumiram a responsabilidade de escrever as histórias após a morte de Marston em 1950 (este falece em 47). E, como eu disse no começo, na tentativa incontida de aperfeiçoarem a semideusa, vieram as lambanças! Um retcon que serviria mais tarde pra fundamentar a teoria da vulnerabilidade ao patriarcado, tiara-bumerangue, braceletes walk-talk, brincos que a permitiam respirar em ambientes no espaço, telepatia com animais (dada pela deusa da caça, Ártemis, e recuperada em Crise Infinita nos animais guiados por Diana a atacarem Superman manipulado por Maxwell Lord!), e, por fim, o deslocamento suspenso nas correntes de ar e a autoplanagem. Sim, galerinha, agora a Wonder podia dar hiperssaltos e com eles flutuar num ponto fixo ou se deslocar pra vários pontos através da corrente de ar. Sem essas correntes ela não planava, e mesmo assim dependia de sua aeronave, pois ainda não voava por si mesma. A ideia veio de O'Neil, que queria acrescentar mais tensão às cenas de ação que envolvessem confrontos aéreos ou espaciais mais a possibilidade (e a tensão) de Diana cair, se esborrachar no chão e morrer (no caso de falta de correntes de ar ou atraso do jato). Nessa época, a teoria da vulnerabilidade ao patriarcado rezava que Diana Prince perdeu a sua imortalidade amazônica quando deixou a ilha de Themyscira, por isso, a tensão na chance de ela morrer em queda-livre. A autoplanagem e o deslocamento suspenso durariam até 1968, quando Diana Prince “perdeu” em temporário as super-habilidades e virou agente secreta. As histórias de 2007 da Mulher-Maravilha na Panini, escritas por Allan Heinberg, aludem à essa fase "agente secreta Diana".
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WAGNER WILLIAMS ÁVLIS – crítico literário da Academia Maceioense de Letras (reg. O.N.E. ​nº 243), professor de Língua Portuguesa, articulista, historiador do Homem-Morcego.
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23 de maio de 2017

Heróis e Vilões da Vida Real! - Batman, seria possível na vida real?

Batman, seria possível na vida real? Mas justiceiro teria carreira curta!

Neurocientista e especialista em artes marciais propõe parâmetros para virar super-herói.
Treinamento de mais de dez anos e carreira de apenas três seriam necessários.
J.R. Minkel Da 'Scientific American'

De todos os super-heróis, Batman é o mais terrestre. Não tem superpoderes oriundos de um mundo distante e tampouco foi mordido por uma aranha radioativa. Tudo o que o protege do Coringa e outros vilões de Gotham City é sua inteligência e um físico moldado por anos de treinamento – combinados a uma vasta fortuna para alcançar seu potencial máximo e equipá-lo com Batmóveis, Batcabos e outros Bat-apetrechos, é claro.

No blockbuster de 2005 "Batman Begins", o vingativo Bruce Wayne (interpretado por Christian Bale) afia seus instintos assassinos nas ruas por sete anos antes de se jogar numa prisão butanesa e se envolver com a misteriosa Liga das Sombras, que o ensina o caminho do ninja.

Para investigar se alguém como Bruce Wayne poderia fisicamente se transformar em uma devastadora gangue de um homem só, procuramos E. Paul Zehr, professor associado de cinesiologia e neurociência na Universidade Vitória, na Columbia Britânica (Canadá), e praticante de Chito-Ryu karate-do há 26 anos. O livro de Zehr, “Becoming Batman: The Possibility of a Superhero” ("Tornando-se Batman: A Possibilidade de um Super-Herói), da The Johns Hopkins University Press, com lançamento previsto para outubro, trata exatamente da nossa questão. Segue uma transcrição editada da conversa.

Scientific American: O que os gibis e filmes nos contam a respeito das habilidades físicas de Batman?
E. Paul Zehr: Há uma citação de Neal Adams, um grande desenhista de Batman, que diz que o Homem-Morcego venceria ou poderia participar de todas as competições das Olimpíadas. Se eu fosse seu treinador, provavelmente o colocaria no decatlo. Embora Batman seja mostrado nos gibis como o mais forte e o mais rápido e todas essas outras coisas, na verdade não é possível ser tudo isso de uma só vez. Para ser Batman corretamente, o que você realmente precisa é ser excepcionalmente bom em muitas coisas diferentes. É quando você junta todos os pedaços que você tem o Batman.

Sciam: O que é mais plausível na caracterização das habilidades de Batman?
Zehr: Você poderia treinar alguém para ser um fabuloso atleta e ter uma experiência significativa em artes marciais, e também para usar alguns de seus equipamentos, que exigem uma grande proeza física. A maior parte do que você vê ali é viável no nível de que alguém poderia ser treinado àquele extremo. Veremos esse tipo de coisa em menos de um mês, nas Olimpíadas.

Sciam: O que é menos realista?
Zehr: Um ótimo exemplo está nos filmes, quando Batman luta contra múltiplos oponentes e de repente está enfrentando dez pessoas. Se você apenas estimar a rapidez com que alguém pode socar e chutar, e quantas vezes você pode atingir uma pessoa por segundo, chega-se a números como cinco ou seis. Isso não significa que você conseguiria lutar com cinco ou seis pessoas. Mas também é difícil para quatro ou cinco pessoas atacarem alguém simultaneamente, por ficarem no caminho uns dos outros. Mais realista seria haver dois agressores.

Sciam: Por quanto tempo Bruce Wayne teria de treinar para se tornar Batman?
Zehr: Em algumas das linhas do tempo vistas nos gibis, a história é que ele fica fora por cinco anos – algumas vezes são de três a cinco anos, ou oito anos, ou doze. Em termos das mudanças físicas (força e condicionamento), isso está acontecendo bem rapidamente. Estamos falando de três a cinco anos. Considerando as habilidades físicas necessárias para se defender de todos esses oponentes o tempo todo, eu diria de 10 a 12 anos. Provavelmente a representação mais realista de Batman e seu treinamento está em "Batman Begins".

Sciam: Por que um tempo de treinamento tão longo?
Zehr: Batman realmente não pode se dar ao luxo de perder. Perder significaria a morte – ou pelo menos a impossibilidade de ser Batman novamente. Mas outro ponto importante seria ter habilidades suficientes para se defender sem matar ninguém. Porque isso faz parte de seus princípios. Seria muito mais fácil lutar contra alguém se você pudesse incapacitá-lo com força extrema. Atingir alguém na garganta poderia ser um golpe letal. Isso é bem fácil de fazer.

Mas se você está pensando em algo que não resulte em força letal, isso é mais delicado. Ser tão bom, lutar sem ferir ninguém de forma letal, exige um nível extremamente alto de habilidade que levaria talvez de 15 a 18 anos para ser acumulado.


Sciam: De onde vem o número de 15 a 18 anos?
Zehr: Vem do meu próprio treinamento em artes marciais e do aprendizado de quanto tempo uma pessoa leva para responder a situações simples – sem falar nas complexidades de bombas de fumaça explodindo e pessoas usando grandes Bat-trajes. Não importa quanto treinamento você tenha, quando estamos sujeitos a uma grande quantidade de stress psicológico, cometemos muito mais erros.

A polícia fala nisso quando utiliza o chamado treinamento baseado na realidade. Levam-se anos e anos e anos para se ter a segurança de ser capaz de agir quando alguém está atacando você de verdade.

Sciam: O que é um regime de treinamento realista?
Zehr: Eu não coloquei um manual de treinamento no meu livro, mas seria interessante fazer um treinamento de pesos especializado para desenvolver a habilidade de trabalhar em uma intensidade muito alta durante talvez de 30 segundos a um minuto (o período máximo de tempo associado com suas lutas).

Um dos primeiros gibis o mostra levantando um peso enorme acima de sua cabeça. Esse não é o tipo correto de adaptação para socar e chutar. Ele precisa se assegurar de que esteja usando todas as habilidades treinadas ao mesmo tempo, para que realmente utilize as adaptações (físicas) lentamente obtidas. Nas artes marciais convencionais, quando pessoas recebem treinamento com armas, trata-se de um tipo de treinamento de poder e força.

Sciam: Que efeitos todo esse treinamento teria no corpo de Bruce Wayne?
Zehr: Pesquisei o que a DC Comics e alguns outros livros dizem (sobre o físico de Batman). Assumi a estimativa de que Bruce Wayne começou com aproximadamente 1,90m e 84 quilos. Dei-lhe 20% de gordura corporal (levemente abaixo da média) e um índice de massa corporal de 26. Digamos que depois de 10 ou 15 anos, depois de transformado em Batman, ele pese cerca de 95 quilos com 10% de gordura corporal. Ele provavelmente ganhou mais de 20 quilos de músculos. Seus ossos realmente seriam mais densos, o oposto da osteoporose.

Sciam: Estamos falando de ossos densos de uma forma fora do comum?
Zehr: A mudança percentual é bem pequena – talvez 10%. No judô, onde se vê muitos agarramentos e tombos, você terá mais densidade nos ossos longos do tronco. No karatê e outras artes marciais onde ocorrem muitos chutes, haverá uma densidade bem maior nas pernas. O Muay Thai (kickboxing) é um ótimo exemplo. Eles sempre dão esses chutes com a tíbia. Eles tentam condicionar o corpo chutando objetos progressivamente com mais força e por mais tempo.

Sciam: E quanto ao tempo de reação?
Zehr: Há evidências de que especialistas em algo como futebol americano e hóquei têm uma habilidade aprimorada para perceber o movimento no tempo. No livro, uso o exemplo de Steve Nash arremessando a bola, mesmo que ele não possa ver onde o recebedor do passe estará. Especialistas são capazes de extrair mais informação com maior rapidez que os outros. É quase como se os seus sistemas nervosos ficassem mais eficientes.

Sciam: Como Batman conseguiria descansar o suficiente?
Zehr: A dificuldade para Batman é que ele precisa tentar dormir durante o dia. Ele ficará muito cansado, na verdade, a menos que possa realmente trocar o dia pela noite. Se fosse apenas um sujeito noturno, ele seria muito mais saudável e teria um sono bem melhor do que se continuasse a se comportar como faz hoje, que é receber alguma luz aqui e ali. Isso vai estragar seus padrões e a duração do sono.

Sciam: Combater os criminosos de Gotham todas as noites não teria seu preço?
Zehr: A parte mais irreal da forma como Batman é retratado é a natureza de seus ferimentos. Na maior parte do tempo, nos gibis e nos filmes, mesmo quando ele ganha, geralmente acaba levando uma boa surra. Há um fracasso real em mostrar o efeito cumulativo disso. No dia seguinte ele está fazendo a mesma coisa, tudo de novo. É mais provável que ele estivesse cansado e ferido.

Sciam: Há alguma indicação nos quadrinhos sobre a longevidade da carreira de Batman?
Zehr: Os gibis são realmente vagos em relação a isso, obviamente. Em “Cavaleiro das Trevas”, graphic novel de Frank Miller, vemos um Batman envelhecido voltando da aposentadoria, que aparece mais fraco e cansado. Em algum lugar entre 50 e 55 anos, ele provavelmente se aposenta. Seu desempenho está decaindo. Está sempre enfrentando adversários mais jovens. Isso é bem no fim de quando ele será capaz de se defender e não ter de lidar com aquela força letal. Isso foi mostrado em uma série animada chamada "Batman Beyond."

Sciam: Ah, sim. É o futuro; Batman está velho e treina um garoto para substituí-lo.
Zehr: Você conhece aquela série? O que aprendemos é que Batman, já mais velho, mas antes de se aposentar, realmente usou uma arma contra um malfeitor, porque precisou fazê-lo. Suas habilidades o deixaram na mão de forma que ele não foi capaz de se defender sem machucar outra pessoa. E foi aí que ele decidiu se retirar da cena.

Sciam: Como todas as surras afetaram sua longevidade?
Zehr: Lembrando que ser Batman significa nunca perder -- se você analisar eventos consecutivos onde lutadores profissionais tiveram de defender seus títulos, como Muhammad Ali, George Foreman, Ultimate Fighters –-, o período mais longo que encontrará é de cerca de dois ou três anos.
Isso de certa forma bate com a carreira média dos runningbacks (corredores do futebol americano) da NFL. É de aproximadamente três anos. (Essa é a estatística que consegui no site da Associação de Jogadores da NFL.) A questão é que não é muito longa. É muito duro se tornar Batman em primeiro lugar, e é duro se manter quando você chega lá.

Sciam: Há uma pesquisa sugerindo que concussões podem gerar depressão em jogadores da NFL. Esse poderia ser um motivo pelo qual o Cavaleiro das Trevas é tão pensativo?
Zehr: Passei por muitos quadrinhos e graphic novels e só encontrei um par de exemplos onde alguns dos golpes na cabeça de Batman tiveram o efeito de algo como uma concussão.

Na vida real, esse seria um resultado bastante provável. Ele é capaz de compensar alguns dos danos físicos à sua cabeça porque o uniforme funciona um pouco como um capacete. Mas esses golpes definitivamente somariam. Já que eles não admitem que ele tenha concussões, você não pode defini-las como a razão pela qual ele é pensativo.

Sciam: Você acha que Batman tomaria esteróides para se curar mais rapidamente?
Zehr: Não. Há um gibi onde ele tomou esteróides. Ficou um pouco louco e desistiu deles.

Sciam: Na sua opinião, quantos de nós poderiam se tornar um Batman?
Zehr: Se pegarmos a porcentagem de bilionários e multiplicarmos pela porcentagem de pessoas que se tornam atletas olímpicos, provavelmente chegaríamos a uma estimativa próxima. O ponto mais importante é o que um ser humano realmente consegue fazer. O alcance do desempenho que você pode conquistar é simplesmente enorme.


Fonte: *Distribuído por "The New York Times Syndicate".

Documentário acompanha o “Batman da vida real”

Que tipo de pessoa decide vestir um terno de super-herói e patrulhar as ruas de sua cidade natal?
Você pensaria que é só em quadrinhos e filmes que existe este tipo de gente, mas há pessoas reais lá fora que decidem assumir o fardo de super-herói e combater o crime local, adotando um estilo que se lembra muito aquilo que já vimos nas duas adaptações de ‘Kick-Ass’.
 Um novo curta-documentário se solidarizou a esses heróis da vida real e decidiu contar um pouco a história fascinante de homem que assumiu a capa do Batman. Literalmente!
Assista:

 ‘Being Batman’ acompanha um homem chamado Stephen Lawrence, que se veste como Batman, dirige em torno de um subúrbio chamado Brampton, em Toronto (Canadá), e caminha pelas ruas procurando criminosos para prender. Com o físico atlético, habilidades em artes marciais e armas ninjas, ele se apresenta como alguém que é tudo, menos amador.
Como cidadão que quer apenas contribuir para o mundo em que vive, fazendo a diferença, a postura de Stephen é cativante ao falar sobre sua missão. Confira o curta:

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13 de maio de 2017

✩ Campanha ❝O Voo de Diana❞ ✩ (Introdução)

                                                                                                                                 Wagner Williams Ávlis*

ΠΣApontamentos Meus

A autora deste tratado, Virna Maria Ockhein, em 
suposta foto dela, recuperada do Drive.
      Nessa parte introdutória, o tratado se ocupa em dedicar-se para algumas pessoas e explicar os motivos que levaram a ele, basicamente um debate de fórum sobre a personagem, se ela voava no tempo do seriado (1975-1979) de Lynda Carter ou se só passara a voar muitos anos depois, e como isso se deu. Como até então esse informe era confuso até mesmo para fãs de longa data, a autora trata de responder logo de primeira, e a partir da resposta desenvolve esse tratado inédito nas mídias nerds sobre a Princesa Amazona.
✩ Pra Comecinho de Nosso Maravilhoso Papo


Dedico com carinho e amizade estas minhas anotações (um tanto que gripadas! =/) aos meus amigos presenciais donde vivo, e aos virtuais do G+ que me apoiaram e defenderam na Comunidade g+Quadrinhos. Dedico também aos que valorizam e fazem jus à liberdade, que todos os dias levantam voo por ela, sem o medo de cair.

"Liberdade de voar num horizonte qualquer,
Liberdade de pousar onde o coração quiser.
Não há limites, altura ou fobia,
Porque o coração salta
Os abismos que a mente cria.”

                                                               (Cecília Meireles, 1901 – 1964).

    Amiguchos dos quadrinhos, de antemão garanto a vocês, a Mulher-Maravilha NÃO VOAVA ANTES DE “CRISE NAS INFINITAS TERRAS”. Mas só até a década de 1970; no início desta mesma década (c. 1972), a Mulher-Maravilha PASSOU A VOAR ANTES DE “CRISE NAS INFINITAS TERRAS”, e, durante os eventos dessa mesma maxissaga, a Princesa Amazona já voava. Vou demonstrar a vocês e a todos os interessados, podendo dizer que esclareceremos de vez essa questão no Brasil (e com o mérito dessa COMUNIDADE G+), o tema do voo da Mulher-Maravilha em toda a sua mitologia nos quadrinhos. Preparem-se pra ler bastante, tchê! Turminha, é necessário entender toda a confusão em torno dessa questão tomando como dado o fato de que, durante longo tempo, a indústria dos quadrinhos não era disciplinada e organizada como agora, tá? Ela ainda não sabia lidar bem com a novidade do produto “quadrinhos”, e da Era de Ouro à Era de Prata a continuidade não era uma técnica importante, e acho que a amiga PABLINA MILANE mencionou algo do tipo no post. A consequência disso foram os problemas jurídicos, editoriais, artísticos, publicitários, midiáticos. Some-se a isso um mundo arraigado na tradição machista, másculo, patriarcal, masculinizado, despreparado para acolher, com equidade, mulheres super-heroínas, subvertendo os antigos padrões sociais. Só pra se ter uma ideia do que digo, a Mulher-Maravilha, 1ª mulher honorária na LJA, recebeu um pífio título de “secretária” da Liga. Pra juntar o preconceito com a injustiça, quando ela deixou o grupo por um período (na década de 1970), os membros a forçaram a um “estágio probatório” durante mais de um ano antes do seu retorno ao grupo. Nesse torvelinho, a Mulher-Maravilha, por mais que se esforçasse pra ganhar sua dignidade e afeição na indústria, era posta em 2º plano, descuidada pelos artistas da época, subestimada pelo público (masculino). Fato é a constante nos furos de roteiro, informes desencontrados, nas contradições/confusões em texto ou desenho, nos retcons inconscientes, inconsistentes, inconsequentes, impulsivos, personagens soltos (como Diana enfermeira, Babywonder, Wondergirl, Snapper Carr), tudo a gosto pessoal de cada escritor/desenhista, sem supervisão séria ou edição rigorosa. Inevitavelmente, a habilidade de voo dela (e outras mais!) não fugiria à regra, meus queridos!

O tempo do seriado com Lynda Carter é a Era de Ouro, nos anos 1940 da 2ª Guerra Mundial. Aquela Mulher-Maravilha da TV ainda não voava, dava hiper-saltos e dependia do jato invisível. Entretanto, nos quadrinhos, timidamente ela começava a alçar voos.


✩ Teoria da Vulnerabilidade ao Patriarcado




























       Pra essa questão do não voo da Mulher-Maravilha, leitores liberais da velha guarda da amazona passaram a teorizar uma avalanche de explicações. Uma das mais discutidas no espaço nerd mais nostálgico e liberal é a da “vulnerabilidade ao patriarcado”, a qual não aceito, pelo simples fato de não mais fazer sentido quando a Princesa Amazona passou a voar nos anos 1970 (sou conservadora mesmo, e daí, algum problema?!); mas que de todo modo lhe apresento, turminha! Uma premissa da Era de Ouro era a de que todas as amazonas themysciranas têm força, agilidade e resistência sobre-humanas, onde Diana Prince é a mais poderosa delas. Relativo a isso, a Wikipédia, há um tempo, problematizava um verbete sobre Diana, dizendo que sua resistência “é confusa”, dado que ela pode suportar rajadas de seres sobrenaturais ou alienígenas, mas que não resiste a balas, 7 flechadas e tiros, tendo que usar braceletes pra desviá-las. A velha guarda então apresentou a tal da teoria da vulnerabilidade ao patriarcado, recorrendo às histórias de Robert Kanigher e Denny O'Neil (décadas de 1950-1960), segundo as quais a Mulher-Maravilha não pode receber danos de armas pontiagudas ou inflamáveis fabricadas no mundo do patriarcado, posto que, na organização das amazonas tal qual conhecemos, Hera e Zeus separaram e puseram inimizade entre o matriarcalismo e o patriarcalismo. Ou seja, armas brancas, balas e granadas podem feri-la pela maldição de serem concebidas pelo sexo masculino e por receberem as graças de Ares, o deus da guerra. Funcionando como um retcon, isso explicava coisas que William Moulton Marston não explicou, como, por exemplo, por que Diana ou as amazonas ficavam fracas quando imobilizadas, amordaçadas, acorrentadas ou algemadas com objetos forjados por homem. Essa sujeição, segundo Kanigher/O'Neil, ocorria sempre que fora dos domínios da Ilha Paraíso Themyscira. Ou seja, meus queridos, a amazona que saísse da ilha ao mundo patriarcal estaria sujeita e vulnerável a danos masculinos. A teoria ganhou força em meados dos anos 1990, na fase Loebs/Deodato, que, vez outra, ressaltava isso. Portanto, como um efeito colateral disso tudo, defendem os liberais, a Mulher-Maravilha da Era de Ouro/Prata, uma vez fora de Themyscira, não conseguia voar, limitando-se a dar hiperssaltos. Após a defesa e difusão dessa teoria, a Wikipédia retirou o texto da “confusa” resistência da Mulher-Maravilha, num claro sinal de que a acatou.





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WAGNER WILLIAMS ÁVLIS – crítico literário da Academia Maceioense de Letras (reg. O.N.E. ​nº 243), professor de Língua Portuguesa, articulista, historiador do Homem-Morcego.

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