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18 de junho de 2017

✩ Campanha ❝O Voo de Diana❞✩ (4ª parte)

                                                                                                                                 | Wagner Williams Ávlis*

ΠΣApontamentos Meus

    Encaminhando-se para o final, o tratado falará de um momento atípico na canonicidade da Princesa Amazona: as alparcas do deus Hermes. Essas percatas permitiam a sua portadora mais do que voar, permitiam atravessar dimensões, mover-se à velocidade da luz. Em torno das alparcas revezaram protagonismos as personagens Diana Prince, Hipólita, Ártemis (a autora destaca aí a fase do brasileiro Mike Deodato no título da Mulher-Maravilha), e como o manto desta foi sucedido num ciclo que retornou à Diana. Em contraponto a essa fase, é apresentado o extremo-oposto, a fase de J. Michael Straczynski, uma Mulher-Maravilha desprovida de várias super-habilidades e que não voa, esquecida de quem é, de suas origens, de sua identidade. Um movimento de retorno ao voo é feito com as expectativas ainda indefinidas – à época – do reboot Os Novos 52.

✩ As Alparcas de Hermes

   
      Os amiguinhos da Comunidade Quadrinhos que puderam acompanhar em 1990 as histórias da heroína grega na revista DC 2000 (ed. Abril Jovem) vão se lembrar de que, nessa época, Pérez quis elevar o poder de voo de Diana às últimas consequências. Dessa vez, a guerreira não só voava por si mesma, como agora podia voar atravessando dimensões espaciais! Isso era possível não por que se tratava de mais uma mera invencionice pra personagem, mas pelo trabalho sério de tecer linearidade nas tramas (algo bastante ignorado em tempos passados). Nessa perspectiva, o voo dimensional de Diana não era uma habilidade nata dela (e que logo seria ignorada), mas um recurso complementar, temporário e emprestado pelo deus Hermes, o mensageiro. O que permitia o voo dimensional eram as alparcas de Hermes, um par de sandálias aladas que a divindade usa pra se locomover entre o plano sobrenatural e o natural, entre o espaço-tempo. Se não me falha a memória, acho que foi a última vez (antes do entrevero da invencionice do J.M. Strackzynki e Jim Lee) que vi a heroína sem usar as botas vermelhas pra dar lugar às alparcas, coisa que até achei bonitinha nela, mas bonita nela do que em Hermes (pois se viam seus pezinhos e panturrilhas). Nesse entremeio, as alparcas compunham o arsenal da amazona: laço da verdade (forjado por Hefesto do cinturão da Mãe Gaia), tiara-real (presente de Atena), braceletes de Atlas (presente de Atlas, forjado a partir dos restos do escudo de Zeus), escudo-égide (forjado do escudo de Zeus), espada amazona (forjada pelas themysciranas), armadura de Ártemis (doada pela deusa Ártemis, que, conforme Pérez, no traje da Mulher-Maravilha, o busto dourado de águia é na verdade apenas o peitoral dessa armadura), e finalmente as alparcas de Hermes. Eu gostei muito dessa fase, pois esse arsenal se uniu às habilidades divinais da personagem: superforça/ invulnerabilidade/ fator de cura (concedidas por Deméter, deusa da agricultura e da provisão), voo (concedido por Hermes, deus mensageiro), sabedoria (concedida por Atena, deusa da sabedoria e das artes), beleza (concedida por Afrodite, deusa do amor), sentidos aguçados (concedidos por Ártemis, deusa da caça). As alparcas de Hermes, no entanto, não entraram pro cânone do traje amazônico, uma vez que só foram utilizadas por Diana no arco de DC 2000. Apesar disso, na fase Loebs/Deodato (1995), as alparcas foram reaproveitadas pela amazona Ártemis, de Bana-Mighdall. Segundo o arco, temerosa com a visão de Menalippe de que a Mulher-Maravilha morreria, Hipólita forjou uma competição para escolher uma nova Mulher-Maravilha e evitar a profetizada morte da filha. Ártemis venceu, e, com isso, mais tarde, foi morta pelas mãos do Mago Branco. Durante toda a fase de Ártemis como Mulher-Maravilha as alparcas voadoras foram usadas por ela e incorporadas ao traje, já que esta não tinha o dom do voo. Ainda com Loebs/Deodato, após a morte de Ártemis pelo Mago Branco, os deuses, indignados pela malandragem da rainha das amazonas, amaldiçoaram o desejo de proteção de Hipólita, deixando Diana ser morta por Neron, e forçando Hipólita a ser (novamente) a Mulher-Maravilha, só que agora no tempo presente da Terra-1 (a nossa Terra). Durante esse período, Hipólita, como Mulher-Maravilha, também se utilizou das alparcas de Hermes pra poder voar. Morta, Diana foi assunta ao Olimpo na condição de “deusa da verdade”, mas, devido a ausência da mãe no trono de Themyscira (porque agora ela era a Mulher-Maravilha na Terra), os deuses permitiram a Diana retornar à vida pra reinar sobre as amazonas em Themyscira, e, mais adiante, retornar ao posto de Mulher-Maravilha. Assim se encerrou o uso das alparcas, com um caso único e atípico nas HQs: o manto de super-heroína passou de filha para a mãe, e não o contrário.
Rainha Hipólita, mãe de Diana Prince e líder das themysciranas, atuando como Mulher-Maravilha ao lado da SJA com uma diferença aparente: ela usa saias e não hotpants!

De cima para baixo: Ártemis, desenhada pelo brasileiríssimo Ed Benes. Amazona de Bana-Mighdall, Ártemis substituiu Diana como Mulher-Maravilha em 1995, e, como não tem o dom do voo, precisou usar as alparcas de Hermes para voar. Ártemis atuando como Mulher-Maravilha ao lado de Donna Troy, na arte do brasileiríssimo Mike Deodato. Pode-se notar as asinhas brancas das alparcas nos pés da nova Wonder.
✩ A Águia de Asas e Ninho Cortados

      Antes do reboot dos Novos 52 (2011), uma sombra de recontagens e retcons pairava sobre o UDC... Imersa nessa sombra e ainda convalescente das seguidas Crises (Crise de Identidade, Crise Infinita, Crise Final, e, logo à frente, 52 e Flashpoint) a Maravilhosa sofreu uma mudança drástica, contudo interessante, nas mãos de J. Michael Straczynski/Jim Lee. Estou falando da saga “Odisseia”, aquela onde Diana teve seu uniforme modificado pra um de, como disseram alguns no G+, “motoqueira”. A explicação editorial (do Jim Lee) pro novo look era a de que ele refletia a atual situação confusa, quebradiça, vacante e fragmentada da heroína que, sem uma identidade amazona, passou a viver à margem da sociedade, procurando respostas e a impor uma imagem mais justiceira, sombria e urbana. Em “Odisseia”, Diana está presa em uma realidade alternativa, sem lembrança de sua vida anterior. As amazonas foram atacadas por um misterioso grupo paramilitar quando Diana tinha 3 anos. Diante da derrota iminente, a rainha Hipólita dá ordem pra que as amazonas levem a criança Diana da Ilha Paraíso para o patriarcado. Após 20 anos da morte de Hipólita e das amazonas, os tais paramilitares ainda caçam as gregas sobreviventes e dispersas pelo mundo. Cansada de se esconder, Diana ignora os conselhos de suas tutoras e combate seus inimigos sem qualquer receio. Ela percebe que está presa numa realidade em que todo seu passado havia sido destruído por uma misteriosa entidade caçadora de mitos gregos, fazendo então com que todo o sonho de seu passado fosse mera lembrança quebradiça e dolorosa. Ela transforma a dor da descoberta em determinação para a jornada de vingança (a odisseia), numa trama clássica que remonta as jornadas dum herói grego, uma busca por autoconhecimento e restauração magistral feita por J.M. Straczynski, tamanha foi a sua sagacidade nesse arco. Nessa situação, o dom de voo da Mulher-Maravilha se perdeu; ela já não voava e não tinha certeza de sua identidade amazona, embora conservasse a superforça, os braceletes e o laço da verdade. Esse minimalismo de Diana provocou um turbilhão de críticas acidulantes, boicotes e até ameaças de fãs contra a DC, mas, excluindo a questão do uniforme, a história foi bem escrita e desenhada, apesar de ter dividido mordazmente opiniões. De lá pra cá, foi, até aqui, a única vez que a Mulher-Maravilha não voou depois de Crise nas Infinitas Terras.

Capa de Wonder Woman 600 (2010), onde se iniciou a saga “Odisseia”. Nessa saga, a Mulher-Maravilha não tem o dom de voo nem sabe de sua origem divina. Até então é o arco mais polêmico da personagem na Era Moderna, a começar pela onda de críticas que o novo visual provocou.
✩ Os Novos 52!

        O recente reboot Os Novos 52! empreendido pela DC veio, dentre outras coisas, acalmar o turbilhão arrastado pelas infindas Crises. Os leitores e a crítica mundial, em geral, têm recebido com boa aceitação o relaunch, que, inclusive, revaloriza personagens legados a um segundo escalão, como Falcões Negros, Edge, Aves de Rapina, Desafiador, Aquaman, Nuclear, Gavião Negro, etc. Desde Crise nas Infinitas Terras e de Crise Final, Os Novos 52 é a mais nova revolução nos quadrinhos. A Mulher-Maravilha aqui é um pouco da Mulher-Maravilha de George Pérez, de Phil Jimenez, de Greg Rucka, na arte admirável de Cliff Chiang, e na estonteante história de Brian Azzarello. A Princesa Amazona goza de seus 26 poderes mais elevados, sua origem divina está intacta (e até mais arrojada!), é pacifista, belíssima e voa! Não direi mais coisas pra não dar spoiler, pois os arcos dela em UDC e LJA continuam uma trama curiosa e empolgante mês a mês. Não tem como não se apaixonar. Grandes coisas estão por acontecer nesse novo cenário, e, sem dúvida, o maior ícone feminino do heroísmo, a Mulher-Maravilha, continuará livre e indelével pra alçar novos voos em novos horizontes, como tem sido desde seu primeiro salto, lá, nos idos de 1942...

Diana Prince, a Mulher-Maravilha, em seu visual rebotado para a fase Os Novos 52! E ela continua voando...
Não perca no próximo volume a conclusão...

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WAGNER WILLIAMS ÁVLIS – crítico literário da Academia Maceioense de Letras (reg. O.N.E. ​nº 243), professor de Língua Portuguesa, articulista, historiador do Homem-Morcego.

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